Como Criar um RPG para PC e Mobile: Parte 5 – Pós-Produção


Introdução:

Como Criar um RPG para PC e Mobile é uma série de tutoriais que explica os passos do desenvolvimento do game O Olho do Dragão para ajudar quem está iniciando no desenvolvimento de games ou deseja saber mais sobre a produção deste game.

Pós-Produção

É exatamente nesta fase que o projeto do game O Olho do Dragão se encontra hoje, às 16h enquanto escrevo esta publicação. Houve um atraso em relação à data desejada para o lançamento, a qual era em Outubro/2017, e o motivo principal é também o primeiro grande elemento da fase de pós-produção que falarei a partir de agora: Correção de Erros.

Esta etapa parece simples, basta procurar e corrigir os erros. Porém, se grandes games como Assassin’s Creed podem cometer o erro de lançar antes de corrigir ao menos os principais erros, para um time pequeno de desenvolvimento a tarefa passa a ser ainda mais desafiadora. Em Assassin’s Creed: Unity os erros foram tantos que este vídeo se tornou muito popular: https://youtu.be/zgKJWS_fDM8 e obrigou a Ubisoft, responsável pelo projeto a pedir desculpas publicamente, como podemos ver nesta matéria da BBC.

Mesmo que você não tenha um profundo conhecimento sobre valor de marca, você com certeza é capaz de imaginar o prejuízo para a imagem do game e da Ubisoft pelo lançamento do game com tantos erros. Apesar de não terem sido divulgados quais foram os prejuízos envolvidos, eles certamente existiram, mas e se fosse um game menor? Um game indie? Produzido por um estúdio pequeno como a Constellações é hoje? Um game com erros críticos ou erros demais, pode provocar a falência.

A etapa de correção de erros é realizada de diversas formas, a Ubisoft e outras grandes empresas possuem times inteiros formados apenas por testadores profissionais, mas para o game O Olho do Dragão a realidade é outra. O Olho do Dragão possui um time de uma única pessoa e para a realização dos testes foi projetado duas fases a Alpha e a Beta.

A fase Alpha consiste em criar a primeira versão jogável do game, para que seja possível iniciar os testes e se obter uma visão geral sobre o estado do game. O objetivo principal desta fase é buscar erros e verificar se o game atende as definições feitas durante a fase de pré-produção. É extremamente importante que esta versão não seja divulgada ao público, pois se trata de uma versão muito prematura do projeto e além dos erros que podem existir, muitos conceitos, gráficos e outros detalhes podem mudar.

Também é possível utilizar a fase Alpha para determinar se o projeto seguirá ou não com o desenvolvimento, é aqui que temos a resposta determinante sobre a experiência de jogo, é aqui que se define se vale ou não a pena terminar o game. Em alguns casos específicos, a versão Alpha pode ser mostrada para alguns investidores ou alguns poucos jogadores, com o objetivo de se provar o conceito do game ou de concretizar o investimento.

Após tomar a decisão de continuar, se inicia a fase Beta. Aqui se faz tudo o que foi feito na fase Alpha, mas se faz para um número maior de pessoas, se mostra o game, talvez se distribua uma versão DEMO e se coleta mais opiniões sobre o conceito. Apesar de ser tarde para mudar a estrutura fundamental do projeto, na fase Beta é possível realizar ajustes quanto ao público-alvo e outras oportunidades de negócios.

Talvez não seja uma boa ideia lançar este game para dispositivos móveis, ou talvez seja necessário melhorar a linguagem visual da interface (a HUD), ou talvez um projeto que tenha sido projetado para ser um game oferecido ao público através de vendas unitárias, passe a ser um game gratuito com micro-transações.

Publicação e Vendas

As definições de distribuição, realizadas nas etapas anteriores devem ser implementadas aqui e se deve ficar atento aos prazos de lojas virtuais como Steam e Apple AppStore. Se você vai disponibilizar o game por um website próprio, este também precisa estar pronto para receber pedidos de venda e fornecer o download e também é preciso considerar o DRM.

DRM – Digital Rights Management, ou o gerenciamento de direitos digitais. É um tipo de tecnologia de proteção contra cópia, projetada para impedir a criação de cópias ilegais que alimentam a pirataria. Cabe a você e à sua equipe, decidir se seu game usará ou não o DRM, é uma decisão de estratégia empresarial.

Para o game O Olho do Dragão, foi decidido não usar o DRM e o motivo é simples, apesar da promessa de evitar a pirataria, é de conhecimento comum que quando um hacker quer piratear um game, ele o faz. E esse trabalho é feito, pois existem pessoas que não querem pagar pelo produto oficial e uma comunidade envolvida com a pirataria existe no mundo para provar isso.

Logo, independente das técnicas utilizadas para evitar uma cópia ilegal, se houver desejo da comunidade pirata, o game será pirateado. E ponto. Então o que acontece com o DRM incluído no seu game? Ele provavelmente prejudicará o público honesto e que pagou pelo seu produto, principalmente se esta pessoa desejar fazer uma cópia de segurança, instalar facilmente em outro dispositivo e ter total controle sobre algo que ele comprou.

Além de invocar a honestidade nos fãs do game O Olho do Dragão, para que comprem uma versão oficial do game e assim possam recompensar o trabalho realizado durante todo o projeto, o game será comercializado por um preço justo e baixo. A proposta é que ele seja acessível o suficiente para que os benefícios de se obter uma versão oficial torne inviável a obtenção de uma cópia pirateada.

E é aqui que vamos discutir sobre a formação do preço de venda. Em resumo, se deve considerar o mercado e a margem de lucro desejada, é preciso considerar todos os custos envolvidos durante a produção e o valor necessário para a realização do próximo projeto. A definição do preço de venda é um dos diversos pontos administrativos que você precisa compreender se deseja seguir com seu sonho de produzir mais e mais e melhores games, então deixo aqui a ponta do iceberg neste artigo do Sebrae.

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