© Constellações - O Olho do Dragão

Terra dos Humanos

Os humanos são fisicamente inferiores a grande maioria dos seres que existem em Trae, são lentos se comparados a muitos quadrúpedes, fracos e baixos se comparados até com alguns animais silvestres. Porém os humanos possuem a mente mais poderosa, possivelmente superando inclusive os dragões nesse aspecto, e com o raciocínio e a inteligência tão afiada, humanos desenvolveram diversas técnicas para se protegerem e prosperarem.

Tendo o conhecimento de sua desvantagem física, os humanos construíram casas e muros de rocha sólida para se protegerem do tempo e dos outros seres. As casas oferecem abrigos principalmente contra a chuva e o frio, enquanto que os muros deixam os inimigos em desvantagem, pois é possível para os humanos avistá-los a uma distância muito grande, antes do ataque chegar até eles. Além disso, humanos podem atacar os agressores do alto de suas muralhas sem o risco de serem atingidos pelos ataques terrestres.


Mesmo estando seguros dentro de suas muralhas, os humanos também precisam se arriscar fora delas quando precisam de materiais para avançar sua tecnologia e seu desenvolvimento, e quando estão em campo aberto não podem contar com uma construção engenhosa para protegê-los. Por esse motivo a criação das Forças Armadas Humanas (ou simplesmente FAH) se fez necessária.

A FAH é uma organização criada pelos humanos para recrutar e treinar jovens na arte militar e em estratégias de guerra, após a criação da FAH a sociedade humana foi dividida em duas classes, os militares e os civis. Os civis são os responsáveis pelo desenvolvimento tecnológico, social e econômico, enquanto que os militares são os responsáveis pela segurança de toda a Terra dos Humanos.


Nos primeiros anos após a sua criação, a FAH obrigava os jovens civis a se alistarem e a passarem por um rígido treinamento, mas hoje o alistamento é opcional e selecionável através de exames. Isto porque muitos dos seres inteligentes de Trae compreenderam que era inútil atacar os humanos dentro de suas muralhas e desistiram de tal feito, o que possibilitou que o número de militares se estabilizasse.

 

Os civis se organizaram em um sistema capitalista, o qual prometia recompensar a todos que se dedicassem ao trabalho, mas a verdade é que esse sistema serviu para beneficiar alguns e criar um abismo social entre a classe rica e a classe pobre. Para a classe de baixa renda existe uma única forma segura de sobreviver, trabalhar para a classe de alta renda em troca de uma remuneração extremamente baixa.


Uma maneira de fugir desse sistema é entrar para o serviço militar, o que exige muito preparo, pois a concorrência é muito alta e os exames complexos. A FAH recebe regularmente cinquenta porcento de tudo o que os civis produzem, esses recursos são utilizados para aprimorar cada vez mais a força bélica e garantir a segurança. Uma parte generosa desses recursos é convertida em Moedas de Ouro (moeda utilizada em todo o comércio humano) e distribuída entre os oficiais militares para que gozem de uma vida tranquila quando não estiverem de serviço.

 

Como uma forma de escapar do trabalho semi escravo que a classe rica impõe sobre os trabalhadores da classe pobre, muitos jovens de baixa renda buscam entrar para a FAH e receberem generosas quantias de Moedas de Ouro para a sua sobrevivência. Por causa dessa demanda surgiram escolas especializadas em treinamentos militares que não estão diretamente associadas a FAH.


Essas escolas são dirigidas por ex-membros da FAH que continuam a ganhar generosas quantias de Moedas de Ouro ao ensinarem aos seus alunos artes marciais, arqueria e esgrima. Estas três disciplinas são as mais importantes nos exames aplicados pela FAH a quem deseja entrar para o serviço militar e as escolas ganham fortunas ao formarem novos artistas marciais, arqueiros e espadachins.

 

Para a FAH essa iniciativa é extremamente lucrativa, pois os recrutas recebem um treinamento de alto nível antes de entrarem efetivamente para a organização militar sem gastarem os recursos da mesma, e numa eventual guerra haverão muitos outros humanos treinados para reforçar as linhas de frente. Para o mercado civil trata-se apenas de mais uma atividade para fazer o capitalismo continuar a funcionar e para os jovens da classe baixa é uma boa oportunidade para mudar de vida.
 

O Olho do Dragão:

Durante a expansão do domínio humano por Trae, a FAH comandou uma série de operações para que o território humano pudesse crescer e expulsou diversos seres das regiões onde as cidades seriam construídas. A campanha foi considerada um sucesso absoluto, uma vez que a Terra dos Humanos triplicou seu tamanho original, o que trouxe diversas novas oportunidades para o desenvolvimento.


Porém o motivo para o término dessa campanha de expansão não foi por ter alcançado o objetivo de triplicar o território, mas sim porque a FAH encontrou pela primeira vez com os Dragões. A princípio os humanos lidaram com os dragões como qualquer outro ser que haviam encontrado, mas os dragões provaram ser astutos quando evitaram as armadilhas tradicionais e contra-atacaram a ofensiva humana.

 

A FAH mobilizou então todas as suas tropas e marchou para a região sudeste de Trae, com o objetivo de mostrar aos dragões que os humanos eram a força dominante nesse mundo, mas quanto mais avançavam para sudeste, o número de dragões aumentava exponencialmente e a FAH foi forçada a bater em retirada. A partir de então aquela região ficou conhecida como a Região dos Dragões e nenhum humano voltou a avançar para sudeste novamente.


Os líderes militares decidiram que a FAH não poderia abandonar a campanha após uma derrota, pois isso traria desconfiança dos civis sobre os militares, mas também não desejavam arriscar a sorte contra os dragões. Então as Forças Armadas Humanas marcharam para o sudoeste com uma organização nunca antes realizada, pois não sabiam se haveriam dragões a sudoeste de Trae.


A tarefa se mostrou extremamente simples, pois os humanos não encontraram um dragão sequer e os seres que habitavam aquela região não se mostraram um desafio para o experiente exército. No entanto, quando a construção da cidade de Eloportem estava prestes a terminar, os comandantes militares receberam relatórios de que um pequeno grupo de dragões havia atacado as forças a sudoeste e imediatamente as forças foram chamadas de volta para a nova capital humana.

 

Os oficiais, em sua chegada a Eloportem, apresentaram aos civis um trófeu da vitoriosa campanha a sudoeste e exibiram os restos mortais dos dragões que haviam eliminado. Por alguma razão, os corpos estavam em um processo de decomposição que os transformava em uma espécie de líquido e os alquimistas foram incumbidos de analisarem tal fato.


Após estudos, foi constatado que os dragões possuíam em seu corpo um líquido inflamável, provável responsável por sua habilidade em cuspir fogo, e este líquido continuava ativo após a morte e era o responsável pela transformação em líquido de todo o corpo do dragão. Um alquimista realizou experiências com partes separadas dos corpos e descobriu que os olhos dos dragões poderiam ser mantidos em sua forma sólida, através de um processo alquímico.


O Olho do Dragão assumia diversas cores após a transformação alquímica e se tornava sólido como rocha, gerando uma pedra de rara beleza. Este fato gerou uma revolução na sociedade humana, pois toda a classe rica desejava ter uma dessas pedras preciosas. Grupos milicianos foram formados para ir a sudeste e caçar dragões para obter seus olhos, muitos deles nunca retornaram.


Alguns grupos mais cautelosos decidiram explorar o sudoeste e a região nordeste de Trae em busca de grupos menores de dragões ou mesmo somente de seus corpos, esses grupos obtiveram mais sucesso e ajudaram a criar o mercado da jóia O Olho do Dragão junto com alquimistas habilidosos que desenvolveram diversas técnicas para a formação de cores e formatos a partir do olho recuperado.

 

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